Espaço Vinoarti - segunda-feira 31 março 2014

Peter Frampton: Envelhecendo como um Borgonha…

 


 Como um Borgonha, alguns artistas envelhecem divinamente, e esse, certamente é o caso de Peter Frampton.

Quem é da minha geração se lembra do estouro que foi o lançamento de “Framptom Comes Alive” de 1975, até hoje o álbum ao vivo mais vendido de todos os tempos. Preciosidades como “Show me the Way”, “Lines on My Face” e “Babe I Love Your Way” eram onipresentes nas radios.

Na década de 80 após o mega sucesso “Breakin’ All the Rules”[1], Frampton deu uma sumida das paradas de sucesso e aqui no Brasil foi praticamente esquecido. Como fã inveterado continuei – dentro do possível – acompanhando sua carreira e comprei os álbuns Peter Frampton (1994), Now (2003) e Fingerprints (2006).

Há cerca de dois anos assisti ao Show “Live in Detroit”, no extinto Garage Bar, em Penedo. Um ótimo show, mas que – em termos de intensidade – não chega aos pés desse “Off the Hook – Live in Chicago”.

O Show é uma preciosidade. Sucessos como “Lines on My Face” e o hino “Show Me the Way” são tocados logo no início do show, o que me levou a pensar no que poderia manter o show em alta.

Pois bem, mostrando que está conectado ao mundo moderno, logo após “Show Me the Way“, Frampton comete uma versão arrasadora de “Black Hole Sun“, do Soundgarden, também executada com seu famoso talkbox, do album Fingerprints (2006), curiosamente o único a receber um Grammy Award, em sua brilhante carreira.

Para manter o clima em alta, na sequência vem “Baby I Love Your Way” (tendo “Nassau” como introdução) e “Do You Feel Like We Do”, com o mago brincando com a plateia. Aí, quando parece que já gastou os cartuchos com seus principais hits, um duo acústico com uma versão belíssima de “Wind Of Change”, mostrando que, além de grande guitarrista e compositor, continua com uma linda voz.

Bem se eu tinha dúvidas se havia gás pra manter o show em alta, uma verdadeira farra musical começa em “I Need Ground”, onde a banda é apresentada. os improvisos em “Money”, fazem o plateia “tirar o chapéu”.  Mr. Frampton duela com Gordon Kennedy e Arthur Stead, guitarrista e tecladista, respectivamente, em clima de diversão total. Aqueles deliciosos solos inacabáveis e que quando acabam, bate aquela sensação de “quero mais”.

Após a levada oriental de Can’t Take That Way, Frampton volta aos primórdios mandando uma versão visceral de “I Don’t Need no Doctor”, de sua antiga banda Humble Pie, com mais uma leva de improvisos de solos intercalados.

Como se fosse pouco, o sorridente Frampton encerra o show com uma versão absolutamente magistral de “While My Guitar Gently Weeps”. Se a versão de estúdio era a única que considero comparável à original, essa versão ao vivo me fez repensar muito. Tenho muito respeito pela versão do saudoso Jeff Healey e a recente releitura de Carlos Santana com o violoncelista Yo-Yo Ma é lindíssima, mas nenhuma delas me fez chorar como nesse show. Acho que não me lembro de um encerramento de show tão emocionante quanto esse.

Um artista de bem que passa a impressão de estar de bem com a vida, sorridente como um garoto. Solos em profusão, clássicos do rock, uma banda irrepreensível e ótimas músicas…quer combinação melhor para um show????

Ah! O vinho, claro!

O Mommessin La Clé Saint Pierre 2010 é um grande vinho e tem a elegância habitual dos Borgonhas. Uma bonita cor rubi muito transparente, com sói aos Borgonhas, possui um elegante aroma de frutas vermelhas silvestres. Um final de boca muito agradável. Leve e com muito frescor está ainda muito jovem e com bastante acidez.

A acidez, aliás, certamente lhe garante uma vida longa e aí vem a questão. Que os Borgonhas envelhecem com dignidade e elegância, não há o que se discutir. Mas, será que daqui há 10, 20 anos ele envelhecerá com a mesma grandeza de Peter Frampton???

Well, o único jeito de saber é abrir uma garrafa do La Clé Saint Pierre 2010, em 2020, 2030 e assim por diante…

Enfim, um show maravilhoso “harmonizado” com um vinho excelente. Eu e minha mulher, ambos apreciadores de bons rocks e bons vinhos, entramos em perfeita sintonia com ambos e tivemos uma noite absolutamente especial.

Sem mais palavras…KAMPAI!

 

 

Vinho:

Mommessin La Clé Saint Pierre 2010 – 12,5% (Nuits Saint Georges, Borgonha, França)

 

Off the Hook – Live in Chicago (2006) – 2011

 

Band:

Peter Frampton – Guitar, Vocals.

Gordon Kennedy – Guitars, backing vocals;

Arthur Stead – Keyboards, Guitars, backing vocals;

John Regan – Bass

Shawn Fichter – Drums

 

Track List:

1. Off the Hook

2. Lying

3. Lines On My Face

4. Show Me The Way

5. Black Hole Sun

6. Nassau|Baby I Love Your Way

7. Do You Feel Like We Do

8. All I Want Is To Be By Your Side

9. Wind Of Change

10. I Need Ground

11. Money (I’ll Give You)

12. Can’t Take That Way

13. I Don’t Need No Doctor

14. While My Guitar Gently Weeps

 

 

Duração: 106 min. (aprox).

Local: WYYW Studios (Chicago)

 

 



[1] Música veiculada nos maravilhosos comerciais do cigarro Hollywood, no início dos anos 80.

 

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