Espaço Vinoarti - sábado 12 julho 2014

Harmonizando a Copa…Guatambu é a bola da vez!

Com vinhos nacionais, claro!!!

À exceção do segundo jogo, quando estava às vésperas de uma cirurgia e não tomei absolutamente nada, nos demais tomei vinhos brasileiros, espumantes e tintos! Porém debilitado pela dor antes da cirurgia e limitado para digitar após, não tive como tocar adiante a ideia de “harmonizar” algum jogo da copa para o VinoArti.

Pois bem, calhou que o Brasil chegou às quartas de final e deu tempo de começar a digitar. O jogo contra a Colômbia – que em outros tempos, seria barbada – trouxe calafrios ao País inteiro[1].

Há alguns anos, no mesmo 4 de julho, a Seleção Brasileira vencia os EUA em casa, justamente no “Independence Day”, quando os americanos jogaram com a faca nos dentes. Um jogo dramático, cuja tensão teve dois pontos cruciais: A expulsão do lateral Leonardo e o gol de falta de Branco que entrou em seu lugar e marcou, de falta, o gol da classificação, com direito a contorcionismo de Romário. No final, o Brasil conquistaria o tão almejado “Tetra”, o primeiro mundial na era pós-Pelé.

A exemplo do que acontecera com o Chile, o Brasil saiu na frente. A exemplo do que acontecera com o Chile, Neymar não jogou bem e Fred – mais uma vez – não disse a que veio. Coube ao novo ídolo Davi Luiz fazer o gol da classificação e se consolidar como a figura mais carismática dessa seleção.

Abrimos o Guatambu Nature, o que se mostrou uma opção sensata, pois se a ideia era harmonizar, um brut mais básico não se adequaria. Era preciso algo mais hard, algo que combinasse prazer e força. E foi com uma taça desse delicioso espumante na mão que comemorei o gol de Thiago Silva, o raçudo e técnico capitão dessa seleção.

Mas o jogo correu e ficou claro que a Colômbia cometeu o erro em dar espaço ao Brasil. Nisso o Chile foi muito mais eficiente.

Fim de primeiro tempo, hora de trocar as taças. Aí, pensei na substituição a fazer…Quem poderia entrar no segundo tempo, no lugar do espumante. Havia opção em escalar o Rastros do Pampa Cabernet Sauvignon 2011 ou o Tannat, seu irmão mais novo. Embora o Tannat esteja mais em voga na mídia, tendo sido eleito o melhor do Brasil na ExpoVinis, optei por uma escalação mais segura, com a qual tenho mais tempo de trabalho.

Neymar caçado em campo, o segundo jogador que mais apanhou na Copa até esse jogo, continuava apagado. Oscar, jamais repetiu o primeiro jogo e Fred, bem…deixa pra lá. A entrada de Maicon no lugar de Daniel Alves, deu mais corpo ao time. A suspensão de Luiz de Gustavo obrigou Felipão a mudar ainda mais o time, trazendo Paulinho novamente ao time, ao lado de Fernandinho.

Um vinho com mais corpo, certamente também funcionou na taça. Assim como Felipão, a Guatambu é gaúcha e o Rastros do Pampa é um vinho com uma ótima estrutura, o que, infelizmente, não acontece com a seleção (a Neymardependência indica que o time não tem uma boa estrutura). Aliás, o jeito “Brucutu” de Felipão efetivamente contrasta com o Rastros do Pampa que tem classe, muita classe.

Não adianta ter Neymar num extremo, se não tiver Davi Luiz e Thiago Silva no outro. Não adianta um vinho ter potência e não ter classe; ter agressividade, mas não ter estrutura.

Assim, saboreando esse vinho pra lá de especial, Davi Luiz comete aquele golaço de falta. Um improvável efeito para fora (típico dos chutes de trivela), valorizado por uma improvável delicadeza do Cabernet dos Pampas tratado em barricas francesas de Allier. Bem, se vale a coincidência, o zagueiro também veio da França, onde atua no Paris Saint German, para a Copa.

Quando pensamos em zagueiros, pensamos em brutamontes; coisa que Davi certamente não o é. Quando pensamos em Cabernet Sauvignon, fazemos associação com os chilenos excessivamente amadeirados, aos quais o brasileiro foi acostumado; coisa que o Rastros do Pampa nem passa perto. Davi é um excelente zagueiro sem ser truculento. O Rastros do Pampa é um excelente Cabernet Sauvignon, porém com uma classe e delicadeza bastante incomuns.

Pois bem, como nem tudo na vida são flores, com o placar favorável, mais uma vez o Brasil relaxou e, claro, tomou um gol e a partida começou a tomar ares de dramaticidade. A contusão de Neymar só fez aumentar esse traço.

Se, nessas horas, ter um time estruturado – coisa que parecemos não ter – faz diferença, com o vinho a mesma coisa acontece. Na medida em que o tempo foi passando, como era de se esperar, o Rastros do Pampa evoluiu muito na taça.

O Brasil se manteve na raça e venceu o jogo.

Sempre me pego pensando na raça que deve ter o produtor vitinícola brasileiro para vencer o jogo, pois as regras são duras demais e a marcação é cerrada. Há que se ter muita perseverança para sobreviver no mercado brasileiro e, quanto mais, se sobressair em meio a tanta concorrência e tantas adversidades, muitas das quais, de natureza governamental.

Mas, se até agora, a duras penas, o Brasil se saiu bem na Copa. Na taça, O Brasil foi um verdadeiro sucesso. Os vinhos da Guatambu venceram dando show de bola.

Existe, contudo, uma grande diferença entre o Futebol Brasileiro e o Vinho Brasileiro. Enquanto o vinho brasileiro conhece o seu lugar, sabe que já é uma realidade, mas, sobretudo, sabe que ainda tem muito trabalho pela frente e humildade para trilhar essa ladeira íngreme; o futebol ainda vive de passado e sequer consegue perceber que já não é o bicho papão de outrora.

Acho que essa seleção não passa pela semifinal, salvo, na base da garra, aliada ao impulso da torcida, porque se depender de bola no pé, não bate Alemanha, nem Argentina, nem Holanda. Como papel de torcedor é torcer, estamos aí, mas…acho que chegamos no nosso limite.

Em relação ao vinho brasileiro, creio que o futuro ainda está aberto. Tem muito troféu a conquistar. Já quanto ao futebol brasileiro…acho que a canoa vai furar.

KAMPAI…



[1] O post foi escrito no dia 5 de julho, ou seja, antes da ridícula derrota do Brasil para a Alemanha. Nada foi alterado do texto original.

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