Entrevistas - terça-feira 24 dezembro 2013

Um sonho de Família…por Jane Pizzato (Pizzato)


Nessa última entrevista do ano, tivemos uma conversa sensacional com Jane Pizzato, gestora da área comercial da Pizzato. Uma conversa bem ampla que abrange desde questões familiares ao sucesso no exterior. Como fã dos vinhos da Pizzato, é um prazer poder fechar o ano com chave de ouro.

Vinoarti: Como começou a História da família Pizzato, em relação aos vinhos ?

JP: A PIZZATO vinhas & Vinhos foi fundada  pela família Plinio Pizzato em 1998 e, em 1999 vinificamos o primeiro engarrafado – Pizzato Merlot 1999.  Foram 15.500 garrafas. Era sonho da família ter a própria marca através do cultivo da matéria prima. A crise financeira e o excedente de uvas do final da década nos  motivaram. Antes disto éramos viticultores. Meu pai, sócio, vinificava para o consumo familiar. O vinho branco fazia parte do nosso dia a dia. Nossos avós tinham o mesmo hábito. Já a geração do bisavô comercializada para terceiros.

 

Vinoarti: Sendo uma empresa tipicamente familiar, como a Pizzato gerencia a empresa, ou seja, hoje, quem cuida dos diversos setores como produção, administração, marketing, etc…?

JP: a empresa conta com um diretor geral e enólogo, Flavio Pizzato.  As atividades comerciais internacionais também são comandadas por ele. O mercado brasileiro tem colaboradores comerciais, onde administro. As áreas de produção e administração, a Flavia é quem conduz. Já o marketing e promoção todos se envolvem e se aprimoram dia a dia ate maior maturidade empresarial.

 

Vinoarti: Como você enxerga o mercado de vinhos brasileiros atualmente, aqui e no exterior?

JP: o mercado brasileiro ainda tem muito a amadurecer, e o setor também. O consumo deve demorar mais para um aumento significativo. Valores familiares precisam de gerações para mudanças, não há apenas o financeiro envolvido. Temos um nicho de consumo e o restante ainda para trabalhar. As ações para aumento do consumo devem continuar e ampliar as relações da taça (por que não do copo) com novos consumidores. Acredito muito no vinho na mesa familiar. A educação do consumo com responsabilidades, sem necessidade de leis. Como setor, a regionalização e a clareza de locais para determinadas variedades e estilos de vinhos também poderão ser colaboradores na informação da qualidade do vinho Brasileiro e maior espaço nos pontos de venda. Necessário haver um espaço maior e na recepção de corredores para que o consumidor tenha uma melhor visualização e segurança dos vinhos do País. Quanto maior a pagina da carta de vinhos (primeira pagina) e mix de marcas, maior a curiosidade a se criar e aumentar o consumo.

Quanto ao mercado internacional a distribuição vem aumentando e o respeito pelos vinhos se dá na repetição e ampliação de produtos. Os vinhos Brasileiros estão em muitos dos melhores restaurantes renomados do mundo e com avaliações técnicas altas, que já passam dos 96 pontos em revistas e concursos internacionais.

 

Vinoarti: O nome Pizzato já tem certo reconhecimento no exterior e lá fora o Flavio já vem sendo chamado de “O Rei do Merlot”. Como vocês enxergam – a meu ver – esse justo reconhecimento?

JP: a família fica muito orgulhosa pelo reconhecimento. Na terrinha do Merlot, o reconhecimento só nos dá mais garra pra continuar. Acreditamos que seja favorável a todo o setor de vinhos da Serra Gaúcha e em outras áreas onde poderá mostrar todo seu potencial. A natureza, quando bem cuidada, nos presenteia com qualidade. Aí cabe ao homem entendê-la e usufruir ao máximo para a excelência. Nossas encostas, solos; com base importante a maturação e complexidade, estudos de décadas frente ao melhor clone, podas…enfim, todo ano um novo aprendizado.

O brasileiro estará cada vez mais orgulhoso e informado da qualidade dos vinhos do País.

 

Vinoarti: Sabemos que a carga tributária no Brasil é uma grande inimiga das vinícolas de forma geral. Além da reclassificação do vinho como alimento que é uma reivindicação geral, na sua opinião o que o governo poderia fazer a curto prazo para facilitar a vida das vinícolas nacionais?

JP: Difícil dizer o que o governo devera fazer pois não é da área que exerço. Porém poderia levantar algumas situações que hoje deixa o vinho menos competitivo. A carga tributária sempre existiu e só esta em crescimento e, infelizmente, a reforma tributária ficou pra depois das Olimpíadas. O imposto em cascata prejudica e não é claro para o consumidor o quanto ele paga. Sabemos que a tecnologia da informação governamental já é bastante eficiente, basta decidir pela melhoria

 Não é apenas o setor vinícola que vem sofrendo, há outros que representam mais de 25% do PIB e pagam muito mais. Talvez soluções mais ágeis e dinâmicas para compensar (variação do cambio, exemplarmente) a baixa competitividade poderiam colaborar para a continuidade da empresa brasileira de manter rendimentos, compromissos sociais, investir e profissionalizar-se.

A consistência política e comercial também poderia criar mais oportunidades de investimento. Mesmo assim é necessário encontrar alternativas enquanto não há mudanças.

 

Vinoarti: Particulamente, o que você pensa do “enoturismo” no Brasil ?

JP: só ouço elogios do enoturismo. O brasileiro sabe receber e com generosidade. Uma prova disto é o reconhecimento do Vale dos Vinhedos na revista americana “Wine Entusiast”, em janeiro deste ano, entre os 10 melhores lugares do mundo para se fazer o enoturismo. Vamos melhorar muito mais.

 

Vinoarti: Voltando ao Merlot. Enquanto uma corrente busca identificar a Merlot como a uva emblemática do Brasil, existe uma contracorrente que acha que o Brasil deveria se concentrar nos espumantes, dada a qualidade já alcançada e que, segundo essa corrente de opinião, o Brasil não teria condições de fazer grandes tintos. Considerando que a Pizzato tem uma excelência em se tratando de Merlot, como você avalia essa questão?

JP: Merlot pode não dar certo em todas as áreas vitivinícolas do Brasil, mas na Serra Gaucha, ela brilha com força. A variedade encontrou um ambiente bastante favorável em todos os aspectos, clima, solo, encostas. Nós estamos aprimorando e ampliando a viticultura para aproveitar ainda mais dos benefícios que nos são ofertados. Nem todo ano há excelência de resultados, mas não conheço um lugar no mundo que sempre exista. Se não houvesse variações, as classificações existentes para o vinho talvez não seriam necessárias. O espumante tem uvas com ponto de maturação e ciclos diferentes das uvas utilizadas para os vinhos tranquilos. As uvas conseguem nos trazer um bom frescor no vinho base. Diria também, que a enologia brasileira tem período maior de experiência e vivência em vinificar espumantes se comparado com muitos outros países mais recentes.

 

Vinoarti: No Encontro de Vinhos no Rio deste ano, fiquei realmente emocionado quando estávamos degustando o Concentus e você comentou comigo que o aroma do vinho te lhe remetia exatamente ao cheiro de mato do lugar em que você brincava quando criança. Se não se importa, gostaria de imortalizar essa história.

JP: este vinho marca muito uma das fases da família, e, talvez a mais democrática de todas. A degustação às cegas pelos membros e a decisão em grupo é marcada pelo nome dado Concentus (acordo, consenso familiar).  O mais estimulante é que alguns aromas se repetem na evolução em garrafa, entre eles, a mata, as folhas secas, a terra preta,…

 

Vinoarti: Como você vê a participação da Pizzato nos grandes Centros? Qual a maior dificuldade de entrar nesse mercado.

JP: os grandes mercados exigem atenção contínua e profissionalismo. estamos ampliando dia a dia. Quando acreditamos que um mercado se esteja se estabelecendo passamos para outro, com segurança.

 

Vinoarti: Pra finalizar, quais seriam os projetos da Pizzato para 2014?

JP: são vários, mas o principal é de manter a marca forte e respeitada e com bom desempenho. Em vinhos, o espumante PIZZATO Nature, ainda em caves ganhando maturidade, se evoluir bem chegará em 2014.

Obrigada pela oportunidade e um novo ano cheio de realizações e de muito vinho a todos. Abraço.

Vinoarti: Jane, querida, obrigado pela entrevista. É um grande prazer tê-la como entrevistada do VinoArti. É uma grande honra participar dessa belíssima história.

 

 

Entrevista realizada em 24 de dezembro de 2013, via internet.

 

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