Entrevistas - terça-feira 23 dezembro 2014

François Hautekeur (Grupo LVMH): O Champagne e o Brasil

Em 2013 tive o prazer de conhecer pessoalmente François Hauteker, enólogo do grupo LVMH – Louis Vuitton Möet Hennessy, durante curso que nós da VinoArti organizamos em parceria com a Sommelier School. Desde então, continuamos a manter contato, de forma que foi natural a escolha desse simpaticíssimo francês, para a última entrevista do ano. Leiam, portanto, essa deliciosa entrevista sobre um dos temas mais empolgantes do mundo do vinho…Champagne, é claro!


 

Vinoarti: François, inicialmente, gostaria de dizer que é um prazer tê-lo com entrevistado do VinoArti.

FH: O prazer é meu!

 

Vinoarti: Como e quando você começou a trabalhar com vinhos?

FH:  Eu comecei em 2003, logo após a obtenção do meu diploma de enólogo. Na verdade, eu era engenheiro mecânico e me tornei enólogo aos 33 anos, por paixão pelos vinhos, após 2 anos de estudos em enologia.

 

Vinoarti: Há quanto tempo você está no grupo LVMH?

FH: Meu primeiro trabalho de enólogo foi já no grupo LVMH; eu elaborei os vinhos tintos para os rosés da Moët & Chandon e também para o Dom Pérignon rosé, com Vincent Chaperon.

 

Vinoarti: Creio que seja motivo de muito orgulho ser enólogo de um nome tão essencial à história do vinho, como é o caso da Veuve Clicquot? Isso é para poucos.

FH: Com certeza: fazer parte do grupo de degustação desta Casa maravilhosa, viajar o mundo inteiro para divulgar estes néctares, elaborar os vinhos tintos da Maison a cada vindima e ter degustado 47 garrafas que a própria Madame Clicquot produziu… Não existe honra maior para mim!

 

Vinoarti: Quais as diferenças fundamentais entre as marcas Moët & Chandon e Veuve Clicquot?

FH: Os estilos dos vinhos destas 2 casas são bem diferentes. Se falarmos apenas dos carros chefes, Veuve Clicquot Brut e Moët Imperial, o primeiro tem uma paleta aromática mais evoluída (nozes, confeitaria…), enquanto o MI é mais de frutas frescas. Quanto ao paladar, VC é mais encorpado (por causa da proporção de Pinot Noir) e MI é mais leve.

 

Vinoarti: Há quanto tempo você está no Brasil e o que exatamente motivou a sua vinda para cá?

FH: Faz 2 anos que moro aqui. Eu simplesmente segui a mulher (brasileira, mineira precisamente) que amo…

 

Vinoarti: Como você vê a venda de champagne no Brasil, de forma geral? E quais as perspectivas de futuro?

FH: O Brasil é um mercado em grande expansão há cerca de 40 anos (a idade da Chandon ;-) )… E Veuve Clicquot é o champagne número 1 por aqui, o que prova que os brasileiros têm muito bom gosto! ;-D

O Brasil representa, atualmente, o 10° mercado da marca amarela, mas acreditamos que vai crescer ainda e muito. O potencial é enorme, considerando-se que o brasileiro consome 2 litros de vinho por ano e o francês quase 50…

 

Vinoarti: E no caso específico dos champagnes do Grupo LVMH, especificamente, as marcas Möet & Chandon e Veuve Clicquot?

FH: Estas marcas são as duas líderes do mercado brasileiro e a meta do nosso trabalho por aqui é manter esta posição!

 

Vinoarti: O que achou dos vinhos brasileiros, em especial, dos nossos espumantes?

FH: Eu acho que o Brasil, e especialmente o RS, é uma área perfeita para a produção de bons espumantes, pois o clima é bem fresco; aliás, as principais premiações internacionais para vinhos brasileiros se devem justamente aos espumantes!

 

Vinoarti: Mudando um pouco de assunto. Existem estudos alarmantes sobre o aquecimento global, no sentido de que futuramente, a região de Champagne pode ser prejudicada e até se esgotar. Esse tipo de estudo tem impacto entre os produtores ou é ficção?

FH:  Não é uma ficção, mas é um processo muito lento e, ultimamente, temos colhido uvas de muito boa vivacidade (ou seja, acidez mesmo…); porem, não devemos ignorar este fenômeno. Temos, contudo, 2 alavancas para manter nosso estilo, apesar do desequilíbrio climático: 1) a dosagem que podemos diminuir, para manter o equilíbrio com a acidez e 2) poderíamos deixar uma parte do acido málico de vinhos base para baixar o ph e melhorar a sensação de frescor do vinho. Até agora, na VCP, nós não precisamos fazer isso…

 

Vinoarti: Finalizando, deixo um espaço para suas considerações finais para o público brasileiro.

FH: Adoro o meu trabalho de divulgar as nossas marcas, o que é essencialmente ensinar aos brasileiros o serviço, o consumo e, sobretudo, o prazer dos vinhos, graças a nossos vinhos fora do comum!

 

Vinoarti: Caro François, com a sua entrevista encerramos o ciclo de 2014. É um grande honra tê-lo conosco. Espero que continuemos nos encontrando e que possamos sempre tomar uma boa taça de Champagne.

FH: EU ESPERO TAMBÉM, AMIGO! OS APAXIONADOS DOS VINHOS SÃO SEMPRE BOAS PESSOAS! ;-) )

 

Entrevista realizada em 15 de dezembro de 2014 – via internet.

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3 comentário(s) sobre “François Hautekeur (Grupo LVMH): O Champagne e o Brasil

  1. ola; estou sabendo que o Enólogo Francois Hautekeur, vai estar em santa catarina especificamente dia 6 de agosto na praia do rosa,vc teria informações,se ele vai dar algum curso por aqui, alem deste.
    Sou paulistana , estudiosa em vinho e gostaria muito de conhece-lo, estou em florianopolis, segue meu whatts. Desde ja grata pela sua atenção

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