Entrevistas - quarta-feira 14 agosto 2013

Beto Duarte (Vinhos de Corte) & Daniel Perches (Papo de Vinho) : Encontro de Vinhos

Dessa vez o bate-papo foi com dois amigos, Beto Duarte e Daniel Perches, pessoas que considero fundamentais no que considero a criação de uma cena nacional em torno dos vinhos.

Beto e Daniel são winebloggers pioneiros, e como disse em determinado ponto da conversa, sem eles talvez o VinoArti não existisse. Mais importante, são os responsáveis pelo evento conhecido como “ENCONTRO DE VINHOS” e esse é o tema da nosso papo.

São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas, Ribeirão Preto…quem sabe um dia, Penedo? O Brasil está aí para ser desbravado.

 

Vinoarti: Como surgiu a ideia do Encontro de Vinhos? O ExpovinhOFF 2010 foi o primeiro, certo?

BD: Na verdade o primeiro foi um evento no Hotel San Raphael no centro de São Paulo. Existem muitos eventos com vinhos de regiões diferentes, ou de um único importador ou de produtores brasileiros, mas faltava uma feira que tivesse tudo isso e não fosse gigante como a Expovinis. Uma oportunidade de provar vinhos do mundo todo e fazer negócios com donos de loja, produtores e importadores.

DP: A idéia surgiu da nossa vontade de ter um evento descontraído e que todos pudessem ter acesso. Os que são técnicos podem conversar tecnicamente com os importadores e produtores e os enófilos poderem beber tranquilamente, sem se preocupar em ter conhecimento técnico para beber.

 

Vinoarti: Quando vocês realizaram o primeiro OFF – que tive a honra de participar do painel dos degustadores -, vocês tinham ideia do nível de grandeza que iriam alcançar?

BD: Nenhuma. Foi uma oportunidade de testar o profissional brasileiro em uma feira off, nos moldes das offs europeias que acontecem simultaneamente com a Vinexpo ou Vinitaly.

DP: Na verdade nunca tivemos e isso que é legal. A cada evento, quando recebemos o público, ficamos contentes de ver que mais e mais pessoas nos visitam e gostam do nosso formato.

 

Vinoarti: Hoje quais são as cidades onde o Encontro de Vinhos já é permanente?

DP: Permanente mesmo só em São Paulo. As outras cidades ainda são testes. Estamos em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Campinas, Ribeirão Preto e Curitiba.

 

Vinoarti: Qual a maior dificuldade de se organizar um evento desse porte?

BD: Além de encontrar o local adequado, encher a casa com profissionais, encontrar o público em lugares que não conhecemos e o trabalho no dia da feira para que tudo corra bem.

DP: Em especial, encontrar locais adequados que fujam do padrão de hotéis com salas fechadas.

 

Vinoarti: Em relação aos degustadores, qual é o critério de escolha? Já tiveram problemas com isso?

BD: Em algumas cidades, temos poucos especialistas, não existem ABS ou SBAV e temos que convidar gente de São Paulo. Começamos agora a fazer algumas edições do top 5 em São Paulo, antes das feiras.

DP: Inclusive, podemos dizer que até hoje não tivemos problemas. Sempre convidamos pessoas do mercado, que tenham conhecimento técnico. São sommeliers, blogueiros, donos de lojas e de restaurantes.

 

 Vinoarti: Existe ou já existiu pressão por parte de importadoras e/ou vinícolas no sentido de supervalorizar seus vinhos?

BD: Esses parceiros conhecem a mim e ao Daniel, assim como nós os conhecemos. Não acredito que fariam isso e eles têm certeza que não aceitaríamos nenhuma pressão.

DP: Certamente, nunca! E nem faríamos isso jamais.

 

Vinoarti: Considerando as facilidades da internet e as redes sociais, vocês acham que seria possível realizar esses eventos, há dez anos, por exemplo?

BD: Seria mais difícil. As redes sociais são uma força significativa para os Encontros de Vinhos.

DP: O Encontro de Vinhos tem a missão de se modernizar a cada ano, então nossa ideia é que ele exista por muito mais do que 10 anos.

 

Vinoarti: Além dos “encontros”, existe algum outro projeto em andamento?

BD: Existem. rsrsrs

DP: Sempre existem projetos. :)

 

Vinoarti: Ambos são bloggeiros de primeira hora, qual a visão de vocês sobre a explosão de enoblogs, em especial, nos últimos dois anos? Isso é bem vindo ou existe o risco natural da banalização e levar a um inevitável desinteresse?

BD: Acho que o vinho merece essa explosão, o vinho precisa ser mais consumido por uma questão cultural. O vinho é uma bebida especial, um alimento, uma ferramenta de socialização. Os blogs são fontes de informação, de opinião e de democracia. Bons ou ruins dependem da opinião de cada um. O que é ruim pra mim pode ser bom pra outra pessoa. Quanto mais popular, mais simples, mais o consumidor se sente à vontade. O vinho não pode nunca assustar, mostrar que para bebê-lo precisa de conhecimento. Basta beber, curtir. O conhecimento é pra quem quer esse conhecimento, para quem trabalha com o vinho. O consumidor tem o papel de consumir, sem frescura e sem compromisso.

DP: Da minha parte, acho muito bom que surjam novos blogs. Quem decide sobre a qualidade do conteúdo é o leitor. Eu sou leitor de blogs e tenho os meus favoritos e acho que cada um deve fazer isso também. Não importa a quantidade e sim a qualidade.

 

Vinoarti: Por fim, a pergunta que não quer calar…Quando vamos trazer o Encontro de Vinhos para Penedo (rssssss)?

BD: Quando algum amigo de Penedo garantir um número importante de expositores interessados e um público que agrade esses expositores. Um público de finlandeses e funcionários da Peugeot, por exemplo… rsrsrs

DP: Para realizarmos em uma cidade nós fazemos um estudo de potencial para depois fazermos a consulta aos expositores. Vamos incluir Penedo no estudo deste ano!

 

Vinoarti: Yeah! Rsssss. Seria uma grande honra receber o evento aqui na região e acredito mesmo que é possível. Podem contar comigo, com toda certeza.

Bem, assim como acontece com um bom vinho, pena que acabou. Amigos, obrigado, muito obrigado mesmo pela entrevista. É um grande prazer tê-los como entrevistados; sem vocês, provavelmente, não haveria VinoArti.

 

 

Entrevista realizada em 13 de agosto de 2013, via internet

 

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