Editorial - sexta-feira 07 março 2014

Dia da Mulher é todo dia…

 

O Dia Internacional da Mulher mais do que uma celebração à emancipação feminina, representa, na minha visão, uma justa homenagem para quem carrega em seu ventre, o peso da vida.

Sou feminista convicto e acredito no poder da mulher. As maiores transformações sociais da humanidade, segundo o historiador Eric Hobsbaum[1], se deram no Século XX, em especial, a partir do momento em que a mulher se emancipou e ocupou cada vez mais espaços na vida pública.

Ou seja, no espaço de cerca de 40 anos, não apenas reverteram um passado de opressão masculina calcado no patriarcado, para mudar as relações sociais inertes há séculos. Os críticos do feminismo atribuem o ingresso da mulher no mercado de trabalho ao enfraquecimento da família como instituição basilar.

Óbvio exagero, pois, em geral, mesmo a mulher emancipada e bem resolvida continua responsável pelo dia-a-dia do lar, inclusive, no gerenciamento dos assuntos relacionados à prole. Essa mesma mulher emancipada e bem resolvida é aquela que também coloca dinheiro em casa, ampliando (e não raro, sustentando) a renda familiar.

A título de exemplo, sabe-se que no curso de Direito, a presença feminina já ultrapassa a masculina. Isso se reflete, inclusive, nos concursos para a magistratura. Acredito que o acesso cada vez maior da mulher aos cargos da magistratura tende a tornar o direito mais sensível e menos inflexível. Maior o caminho da equidade e menor o do positivismo.

O influxo das relações humanas como elemento de harmonia social, tampouco pode ser atribuído à emancipação da mulher. Ao contrário, deve-se muito mais à incompetência dos Estados, que descuidaram de elementos sociais básicos, tal como o acesso a uma educação de qualidade.

Como chamar de sexo frágil um ser que engravida, menstrua todo mês, que tem TPM, apenas por que não tem força física, ou porque que detém o direito – inalienável – de se deprimir sem motivo aparente?

Somos seres absolutamente diferentes. O Homem, efetivamente mais simples, tem uma natural dificuldade de se adaptar ao que chamamos (aqui tenho que medir as palavras) de frescuras. Prefiro que sejam assim. O ser humano é feito de contradições e diferenças. O importante é saibamos respeitar as diferenças alheias. Esse é o grande segredo de uma convivência pacífica e, sobretudo, harmônica.

No mundo dos vinhos, inclusive, a Mulher, que já ocupou o papel de coadjuvante, hoje, assume delicioso protagonismo. Seja na direção de vinícolas mundo a fora, seja na gestão dos negócios do vinho e principalmente com a mão na taça, a Mulher é naturalmente soberana no meu fértil imaginário.

Não vou, portanto, louvar o Dia Internacional da Mulher…Dia da mulher é todo dia!

 

Cello Carneiro

Dedicado à Karla Takayama…minha grande Mulher

Justas loas às profissionais do vinho…

 

 



[1] Hobsbaum, Eric – O Breve Século XX.

 

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3 comentário(s) sobre “Dia da Mulher é todo dia…

    • Oi, Alessandra.

      Adorei seu comentário. Aliás, adorei seu post sobre as 7 mulheres. Pessoalmente, conheço Evelyn e Érika (de eventos), e outras três são amigas virtuais no Face.

      A gente que escreve, em geral, escreve com prazer, mas às vezes, a alma é quem dita as palavras, né?

      Obrigado pelas palavras e pela visita e, claro, parabéns por esse dia especial.

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