Contos & Crônicas - segunda-feira 17 junho 2013

E o Champagne custou caro…

A mulher mais linda que eu já vira.

Morena, quase da minha altura, absolutamente escultural. Lindos cabelos negros, longos e cacheados. Um olhar tão penetrante e invasivo que quase me paralisou. Como essa “cavala” pode estar sozinha? Foi a única coisa que consegui pensar. Já tinha visto logo que cheguei, mas agora ela passou por mim, olhando como se estivesse me devorando.

À vontade com a minha fama de “pegador”, não podia deixar passar uma oportunidade dessas.

Mas, é foda estar fora de casa e ainda sozinho. Território – literalmente – estrangeiro e sem nenhum conhecido. Meu inglês é fluente e meu espanhol também, de modo que a abordagem não me preocupava. Mas, podia ser mulher de alguém ou algo assim. Isso poderia explicar o fato de estar sozinha.

Era minha segunda vez em Madrid. Da primeira vez, também a trabalho, havia mais três brasileiros comigo e a farra foi grande. Tinha até um garotão casado com fama de “bundão”, que acabou se revelando. Dessa vez, segui as recomendações do pessoal da matriz, mas ou saía sozinho ou ficava no hotel.

Sozinho, costumo tomar Jack Daniel’s e quando junto com amigos, prefiro cerveja. Vinho, só mesmo pra pegar mulher e mesmo assim, quando a garota é mais requintada. Dá trabalho, mas vale a pena; mulher que entorna vodka é mais fácil, mas em compensação fica uma bosta na cama.

Foda que mulher que toma vinho é meio metida a bacana e não toma vinho suave e eu só gosto de vinho docinho. Detesto “champanha” que não seja doce, mas pra pegar mulher tomo até gasolina de avião.

Ela lá, sozinha com uma taça de “champanha” na mão, agora sentada no balcão, balançando o corpo levemente ao ritmo do lounge tipo Ibiza que tocava ao fundo. Parecia hipnotizada, sensualíssima, sem prestar atenção a ninguém. Queria ver aquele olhar novamente.

Bem, o jeito era apelar para táticas alternativas, de forma que com dinheiro trocando de mão rapidamente, soube do garçom que ela estava tomando Cava…pra mim era “champanha”. O cara me explicou que a tal da Cava é um tipo de “champanha” feito na Espanha. Porra, pra mim é tudo champanha!

Eu já tinha tomado duas doses de Jack Daniel’s e esse é o estágio que começo a ficar “no ponto”. Quando peço o terceiro já é hora de ataque…tem que ter feeling pra ser um bom “pegador”.

Mais um dinheirinho, dessa vez para o barman e fiquei sabendo que a cavala se chamava Emma e que pra pegá-la só mesmo com Champagne de verdade. Já me imaginei estourando uma garrafa de “champanha” no rosto dela e ela tirando a roupa. Bem, perguntei ao barman se ela preferia alguma em especial e ele disse que era uma tal de Böllinger. Nem perguntei o preço; se fosse no Brasil seria caro, mas, nessas viagens eu recebo um segundo salário em dólar, logo…foda-se!

Com a garrafa na mão e duas taças na outra, me sentei a seu lado. A morena me olhou meio de lado, olhou para a “champa” e me olhou nos olhos e abriu o sorriso mais sexy do mundo.

Caramba, a mulher praticamente sugou a garrafa e eu ali economizando pra não precisar gastar mais que o necessário. Mas, na hora que ela passou a língua no meu pescoço eu sabia que não pararia no meio do caminho. Pedi mais uma.

Não sou de ficar beijando no meio da galera, mas como ali ninguém me conhecia, nem me importei. Ninguém me conhece, além disso, mesmo se fosse por aqui, com uma mulher dessas, eu daria show pra todo mundo ver. Imagina o pessoal do trabalho me vendo com um mulherão desses.

A coisa começou a ficar séria e perguntei se ela não queria ir para o meu Hotel. Ela perguntou se tinha “champa” no hotel. Na dúvida, pedi mais uma garrafa e fechei a conta…caralho!!!! A conta mais cara que paguei na vida. O Barman falou que Böllinger é a “champa” do James Bond…Ahã!

Mas, como diz o ditado “Quem está na chuva é pra se molhar”.

Depois de três doses de Jack e duas garrafas de “champa”, estava me sentindo o homem mais charmoso do mundo, o próprio Sean Connery.

Fomos para o meu hotel e quase nem deu tempo de chegar ao quarto. Acho que poucas vezes me senti tão excitado.

Puxei os seus seios pra fora do vestido. Seios lindos, fartos, empinados, uma loucura!! Beijei-os freneticamente. Foi então que tentei levantar o seu vestido, mas ela não deixou de forma alguma.

Me pediu pra abrir a “champa”, enquanto ia ao banheiro. Enquanto abria a garrafa, fiquei imaginando a minha “espanholaça” tirando a roupa pra me esperar. Aí não pude me aguentar e fui para o banheiro, ia transar com ela ali mesmo.

Mas não é que a desgraçada estava mijando de pé!!!!!!!!

Eu ali, atônito, sem saber o que fazer e ela olhando pra mim com aquela expressão lasciva, como quem quer me comer. Ainda balançou o “negócio” antes de guardar dentro do vestido.

O que fazer numa situação dessas, meu Deus? Minha vontade era de gritar, mas fiquei estático e mudo! Mesmo quando ela veio na minha direção – sem lavar as mãos – eu não conseguia me mover.

“Vamos pra cama, garotão”.

Eu juro que quis mandá-la, digo, mandá-lo embora, mas quando a criatura segurou meu pênis, eu sucumbi à luxúria.

No dia seguinte, quando acordei não havia nenhum vestígio de Emma, salvo uma “tirinha” de couro estranha no lugar onde dormira. Envergonhado e com nojo de mim, usei o resto da “champa” pra fazer gargarejo…Argh! Que vergonha…Nunca vou contar pra ninguém – eu disse pra mim mesmo.

Esse foi um ato falho na minha vida…continuo pegador, lógico!

Mas duas coisas eu tenho que confessar: A primeira é que – puta que pariu – nunca vi uma “Champa” custar tão caro!!!!

A segunda, bem, como explicar isso. Eu não sou gay, claro, mas que estou indo a Madrid duas vezes por ano, estou…e feliz da vida!!!!

 

Resende, 15 jun 2013…

 

 

 

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6 comentário(s) sobre “E o Champagne custou caro…

    • Tomando vinho, com toda certeza (rssssss).
      Quando vi essa gravura, lembrei de uma história hilária que aconteceu com um amigo no Rio na década de 80.
      Bastou fazer umas pequenas adaptações, mas a essência já existia (rsssss).

      Enoabs

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