Artigos - quinta-feira 03 setembro 2015

VINHO…LUXO OU PRAZER?

 

Em alguns casos, luxo e prazer podem significar a mesma coisa, afinal, gosto é algo muito pessoal. Porém, no que toca ao vinho, cabem algumas considerações, afinal, muita gente associa o vinho ao luxo, à riqueza e à sofisticação. Mas, a pergunta é: Para ter prazer é necessário luxo?

A ideia aqui é desmistificar um pouco essa falsa impressão de que o vinho é bebida de “bacana”. O vinho, efetivamente, traz diferenciais em relação às demais bebidas alcoólicas, os quais, aproveitados com equilíbrio, tornam-se uma verdadeira riqueza.

Com efeito, degustar o vinho em taças apropriadas, guardar com cuidado, servir na temperatura certa são importantes, mas, creio que tomar cerveja em copo de vidro em vez de plástico, armazenar fora do sol e servi-la gelada, também são cuidados necessários e nem por isso é frescura.

Combinar o vinho certo com a comida certa é sublime e aumenta a sensação de prazer: Um Chianti com pizza, um Chablis com ostras, Porto com chocolate…Sacre Bleu! Mas a harmonização não pode ser uma obrigação, senão o prazer se torna um transtorno. Querer tomar vinho tinto em temperatura ambiente num dia de 30 graus tende a se transformar em transtorno. Deve-se ter em mente que a temperatura ambiente de que tanto se fala é da Europa, de forma que o vinho estará muito melhor aos 18 graus. Medidas as proporções, é o mesmo que tomar chope quente.

Tampouco é preciso gastar com vinhos caros para se ter prazer. Mesmo porque a maioria das pessoas normais toma vinhos simples no dia a dia. O segredo, nesse caso, é buscar uma boa relação custo/benefício, o que chamamos de vinhos honestos.

Ah! E para escolher o vinho certo, a uva certa? Quer um conselho, experimente de tudo até formar uma opinião pessoal. Um dos maiores prazeres para quem gosta de vinho é a variedade. Creio que não será nenhum sacrifício provar franceses, portugueses, italianos, chilenos, americanos, e por aí vai… Quando menos esperar, estará experimentando vinhos gregos, romenos, libaneses, etc.

Quer outro conselho? Experimente os vinhos brasileiros e duvide de quem diga que não temos bons vinhos no Brasil. Para quem não sabe, os nossos espumantes (sim o espumante é vinho!) são muito respeitados no exterior e salvo para os franceses, em especial o Champagne, atualmente, os espumantes nacionais não perdem para ninguém.

É preciso lembrar que ninguém começou tomando grandes vinhos, de forma que não é nenhum pecado tomar vinhos simples. Pecado é não querer evoluir. Não é demérito tomar apenas vinhos de marcas conhecidas, mas é um desperdício não buscar novidades.

Quem gosta mesmo de vinhos, acaba se interessando em conhecer mais e naturalmente acaba descobrindo que nem tudo é frescura e que o prazer pode aumentar com um pouco mais de conhecimento, pois, tende-se a evitar erros básicos.

Por fim, podemos voltar à questão inicial, é preciso glamour para se curtir um bom vinho? Claro que não. Uma taça de espumante ou de vinho rose à beira da piscina, um prato de peixe com vinho branco em casa, um tinto durante a partida de buraco, tudo é permitido.

Enfim, o que é realmente importante é seguir a sua preferência, sem amarras e se possível em boa companhia. Não se curve aos “enochatos” que gostam de mostrar erudição e fazem do vinho objeto de antipatia. Saboreie no momento que achar melhor… verá como o vinho pode lhe dar prazer.

Kampai…

 

Arte: Cello Carneiro

 

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